Em 1973
o Papa Paulo VI recebia no Vaticano, com o falecido cardeal Leo Joseph
Suenens, os lideres da RCC no mundo. Paulo VI os acolheu com alegria.
Podemos dizer que o Papa João XXIII foi precursor da RCC.
Ao abrir o Concilio Vaticano II, em 1963 ele rezou:
“Repita-se
no povo cristão o espetáculo dos Apóstolos reunidos em Jerusalém,
depois da ascensão de Jesus ao céu, quando a Igreja nascente se
encontrou reunida em comunhão de pensamento e de oração com Pedro e em
torno de Pedro, pastor dos cordeiros e das ovelhas. Digne-se o Divino
Espírito escutar da forma mais consoladora a oração que sobe a Ele de
todas as partes da terra. Que Ele renove em nosso tempo os prodígios
como de um novo Pentecostes, e conceda que a Santa Igreja, permanecendo
unânime na oração, com Maria, a Mãe de Jesus, e sob a direção de Pedro,
dilate o Reino do Divino Salvador, Reino de Verdade e Justiça, Reino de
amor e de paz”.
No pontificado de João Paulo II a RCC foi reconhecida pelo “Conselho Pontifício para os Leigos”, e hoje envolve mais de 120 milhões de católicos em todo o mundo.
Ela tem um organismo internacional;
existe o escritório dos «Serviços Internacionais da Renovação Carismática Católica» (ICRSS, por suas siglas em inglês), com sede no Vaticano.
O Papa João Paulo II sempre acolheu amorosamente a RCC; e muitas
vezes recebeu os seus líderes em audiência. É importante recordar as
suas palavras por causa de suas preciosas orientações.
Em 1992 João Paulo II disse aos líderes da RCC:
“Na
alegria e na paz do Espírito Santo, dou as boas vindas ao Conselho
Internacional da Renovação Carismática Católica. No momento em que
comemorais o 25° aniversário de fundação da Renovação Carismática
Católica, uno-me de bom grado a vós, na ação de graças a Deus pelos
inúmeros frutos que ela deu à vida da Igreja. A Renovação surgiu nos
anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, e foi um dom particular do
Espírito Santo à Igreja.
Foi
sinal do desejo que muitos católicos tinham de viver, de maneira mais
plena, a sua própria dignidade e vocação batismal, como filhos e filhas
adotivas do Pai, de conhecer a força redentora de Cristo, nosso
Salvador, numa experiência mais intensa de oração pessoal e coletiva, e
de seguir o ensinamento das Escrituras mediante a sua leitura, à luz do
mesmo Espírito que inspirou o seu autor.
Certamente
um dos resultados mais importantes desse despertar espiritual foi a
aumentada sede de santidade, visível nas vidas das pessoas
individualmente e na Igreja inteira… Neste momento da história da
Igreja, a Renovação Carismática pode desempenhar um papel significativo
na promoção da defesa, extremamente necessária, da vida cristã, nas
sociedades em que o secularismo e o materialismo enfraqueceram a
capacidade que as pessoas têm de responder ao Espírito e de discernir o
chamamento amoroso de Deus.
O vosso contributo para a re-evangelização da sociedade será efetuado,
em primeiro lugar, mediante o testemunho pessoal do Espírito que habita
em nós e mediante a demonstração da Sua presença, com obras de
santidade e de solidariedade…
Independentemente
da forma que a Renovação Carismática assumir - nas orações de grupo,
nas comunidades conventuais de vida e de serviço - o sinal da sua
fecundidade espiritual será sempre o fortalecimento da comunhão com a
Igreja universal e com as Igrejas locais…
Ao mesmo tempo o aprofundamento da vossa identidade católica, haurindo
da riqueza espiritual da Tradição católica, é uma parte insubstituível
do vosso contributo ao diálogo ecumênico autêntico que, alimentado pela
graça do Espírito Santo, deve levar à perfeição da “comunhão na unidade,
na confissão de uma só fé, na comum celebração do culto divino e na
fraterna concórdia da família de Deus”(Unitatis redintegratio,
2).(L’Osservatore Romano, n. 15, 12/4/1992, 4 (184))
Aos participantes do IX Congresso Internacional da Renovação Carismática em outubro 1998, o Papa disse:
“Vocês
pertencem a um movimento eclesial. A palavra eclesial implica numa
tarefa precisa de formação cristã, envolvendo uma profunda convergência
de fé e vida. A fé entusiástica que dá vida às suas comunidades deve ser
acompanhada por uma formação cristã que seja abrangente e fiel ao
ensinamento da Igreja.”(L’Osservatore Romano, nov 1998.)
Quando da Conferência Internacional da Renovação na Itália em outubro de 1998, ele lhes disse:
”A
Renovação Carismática Católica tem ajudado muitos cristãos a
redescobrirem a presença e o poder do Espírito Santo em suas vidas, na
vida da Igreja e do mundo; e esta redescoberta tem levantado neles uma
fé em Cristo cheia de alegria, um grande amor pela Igreja e uma generosa
dedicação a sua missão evangelizadora. No ano de 1998 em que dedicamos
ao Espírito Santo, eu me uni a vocês no louvor à Deus pelos preciosos
frutos que Ele quis trazer à maturidade em suas comunidades e através
delas, às Igrejas particulares. Como líderes da Renovação Carismática
Católica, uma de suas primeiras tarefas é a de preservar a identidade
das comunidades carismáticas espalhadas pelo mundo inteiro,
incentivando-as sempre a manter uma ligação estreita e hierárquica com
os bispos e com o Papa.”
Os cardeais da Cúria Romana sempre participaram dos eventos da RCC.
No XXVII Congresso Nacional italiano, em Rímini, em 30 de abril de 2004
estiveram presentes o cardeal Giovanni Battista Re, então Prefeito da
Congregação para os Bispos, o cardeal Francis Arinze, Prefeito da
Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e o padre
Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia. Isto mostra o real
apoio da Santa Sé a RCC. Ninguém pode negar isto.
A Renovação Carismática não é um movimento uniforme; mas, como dizia o cardeal Suenens e diz o padre Raniero Cantalamessa, “é uma corrente de graça para toda a Igreja católica.”
Ela não é um simples movimento a mais da Igreja; é a própria Igreja em
movimento pelo poder do Espírito Santo. Todos os cristãos de todos os
movimentos precisam ser renovados no Espírito Santo; e esta é a missão
da RCC.
O Pe. Raniero Cantalamessa, que desde 1978 é o Pregador da Casa
Pontifícia, em entrevista concedida à agencia Zenit em Castel Gandolfo,
em 25set 2003, disse:
“O
batismo no Espírito não é uma invenção humana, é uma invenção divina. É
uma renovação do batismo e de toda a vida cristã, de todos os
sacramentos. Para mim – ele disse - foi também uma renovação de minha
profissão religiosa, de minha confirmação, de minha ordenação
sacerdotal… É a graça de um novo Pentecostes… É uma vinda do Espírito
Santo que se traduz em arrependimento dos pecados, que faz ver a vida de
uma maneira nova, que revela Jesus como o Senhor vivo - não como um
personagem do passado - e a Bíblia se converte em uma palavra viva.
A verdade é que não se pode explicar. Para mim tudo o que passou desde
1977 é um fruto de meu batismo no Espírito. Era professor na
Universidade. Dedicava-me à pesquisa científica na história das origens
cristãs.
E quando aceitei não sem resistência esta experiência, depois tive o
chamado de deixar tudo e colocar-me à disposição da pregação, e também a
nomeação como pregador da Casa Pontifícia chegou depois de que tinha
experimentado esta «ressurreição».
Vejo
isso como uma grande graça. Depois de minha vocação religiosa, a
Renovação Carismática foi a graça mais assinalada de minha vida… Quero
dizer aos fiéis, aos bispos, aos sacerdotes, que não tenham medo.
Desconheço
por que há medo. Talvez em alguma medida porque esta experiência
começou entre outras confissões cristãs, como pentecostais e
protestantes. Contudo, o Papa não tem medo. Falou dos movimentos
eclesiais, inclusive da Renovação Carismática, como de sinais de uma
nova primavera da Igreja, e muito com freqüência faz referência na
importância disso.
E Paulo VI afirmou que era uma oportunidade para a Igreja. Não há que ter medo.”
Todas essas palavras do Papa João Paulo II e do Pregador do Papa, mostram a grande importância da RCC para a Igreja.
O Papa Bento XVI também ama a RCC; ainda como cardeal e Prefeito da
Congregação da Fé, em entrevista ao jornalista italiano Vitório Messori
disse:
“Certamente
[a Renovação no Espírito] trata-se de uma esperança, de um positivo
sinal dos tempos, de um dom de Deus para a nossa época.
É
a redescoberta da alegria e da riqueza da oração contra a teoria e
práxis sempre mais enrijecidas e ressecadas no tradicionalismo
secularizado.
Eu
mesmo constatei pessoalmente a sua eficácia: em Munique, algumas boas
vocações ao sacerdócio vieram-me do movimento. Como em todas as
realidades entregues ao homem, dizia eu, também esta é exposta a
equívocos, a mal-entendidos e a exageros.
O perigo, porém, seria ver apenas os riscos, e não o dom que nos é oferecido pelo Espírito.
A necessária cautela não muda, portanto, o juízo positivo do conjunto.” (V. Messori, J. Ratzinger, A Fé em Crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. E.P.U, São Paulo, 1985, pg. 117-118)
Fonte: Blog do professor Felipe Aquino